Uma das muitas questões abordadas neste blog é
a Esclerose Múltipla (E.M) , e como patologia crônica e ( até o presente
momento) incurável deve-se sempre tomar muito cuidado com uma das principais
demandas quando se pensa nessa questão: o luto e os problemas de se desenrolar
de forma saudável esse momento.
Uma
das minhas frases favoritas é de um psicólogo americano chamado A. Beck (
patrono da Terapia Cognitiva):
" Não é uma situação por si só que
determina o que as pessoas sentem, mas, antes, o modo como elas interpretam uma
situação"
( Aaron T. Beck, 1964)
Vamos
entender melhor o que Beck quis dizer com isso:
·
A Esclerose Múltipla ( e qualquer outra
patologia) não vai desaparecer só porque você se recusa a falar sobre isso.
·
A Esclerose Múltipla ( e qualquer outra
patologia) não vai desaparecer só porque você conta para tudo e todos que é
portador.
A
situação ( E.M) por si só não determina o nível de sofrimento que você terá que
enfrentar. Qual o nível de sofrimento que você terá depende muito mais como
você conduz a situação ( e de como você pensa , seus sistemas de crenças e
valores ), do que ela por si só.
Ta bom
Rodrigo, mas lá no começo você falou de luto. Luto não é só quando morre
alguém?
Sim e
não. De fato o luto é quando morre algo, mas não precisa ser necessariamente
alguém.
Quando
deixamos de ser criança e nos tornamos adolescentes enfrentamos o luto da morte
do status de criança.
Ao
perdermos o emprego, enfrentamos o luto da morte daquele emprego.
Quando
alguém recebe o diagnóstico de E.M ele terá que enfrentar um terrível luto. A
morte daquele que ele chamava de “eu” para um novo “eu”. Um com E.M. e todas as
limitações que isto implica. E pode ser muito complicado.
Um dos meus modelos preferidos é o proposto por Kübler-Ross dividido em 5 estágios:
Um dos meus modelos preferidos é o proposto por Kübler-Ross dividido em 5 estágios:
1. Negação
( “Eu não tenho E.M., isso foi erro do médico, vou procurar uma 2º,3º,4º
opinião” )
2. Raiva
( “Que merda! Justo comigo? O que fiz de errado! O fulano tal tem uma vida toda
errada e isso acontece comigo??”)
3. Barganha
ou Negociação ( “Se eu fizer isso...aquilo vai acontecer”, normalmente de cunho
religioso o paciente negocia com Deus a sua melhora, as conhecidas promessas)
4. Depressão
( “ Já que estou com E.M vou desistir e jogar a toalha “)
5. Aceitação
( “Bem tenho E.M. e tudo bem, vou conseguir conviver bem com isso” )
Nem
todos vão passar pelos 5 estágios ( normalmente 2 ou 3 estágios apenas) e não
estão em ordem, porém deve-se lembrar que o objetivo sempre é chegar em estágio
de aceitação.
E como
chegar a aceitação?
Bem,
somos todos únicos e não existe uma formula mágica para isso acontecer, porém
não posso deixar de escrever o que eu acho que deveria ser claro para todos:
Procure um psicólogo, ele está apto a te ajudar. Ter E.M. é muito complicado e
você precisa de toda ajuda profissional.
Ele vai
conseguir perceber seus padrões de pensamentos e comportamentos desfuncionais e
te ajudará a pensar em alternativas para eles.
Tenho
que colocar uma observação que Aceitar a condição de ter E.M. é diferente de
desistir e deixar levar. Essa atitude está muito mais ligada ao estágio de
Depressão do que aceitação.
Aceitar
é entender as limitações e trabalhar para que elas não o atrapalhem em ter uma
vida feliz.
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